Na casa da prima Carolina


Dia 16 de setembro, na casa da minha prima Carolina, logo antes de irmos passear no forte de Copacabana. Dá pra ver pelo vestido, né? Eu ainda estava meio desorientada, sem saber onde estava, sem entender o idioma direito (afinal, só a minha mãe fala português o tempo todo!) e querendo saber do meu pai. Mas a língua universal das brincadeiras a gente sabe e eu e minha prima Carolina logo caímos na gandaia…
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Voltando…

A viagem para o Rio acabou ontem, mas ainda estamos sentindo os efeitos do jet lag: cansaço, dor de cabeça, e aquela vontade de não fazer nada…

A viagem em si foi ótima, apesar de o tempo não ter colaborado tanto: muitos passeios internos com a Jasmijn (pra casa do vovô Amarino, da tia Claudinha, da tia Élida, da tia Taís…), mas também visita ao parquinho de brincadeiras do Shopping da Gávea, passeio na praia de Copa e umas voltas pelo Rio Sul. Foi pena não ter feito mais sol para fazermos uma boa visita à praia e à Lagoa, porém o mais importante foi realizado: rever os tios e avós, festejar os 80 anos do Amarino e aprender umas palavrinhas de português.

A Jasmijn voltou falando mamãe e papai (achei essa muito gozada!), água, papati (que ela certamente ouviu da Carolina), vovô e vovó (ambos com sotague, naturalmente), Cláudia (o que deixou a Cláudia muito orgulhosa) e sei mais lá o quê. Espero que ela as mantenha, uma vez que voltarei a ser a única fonte de português diário dela, fora os vários cds de música, dvds etc. Mas até isso tem limite. Afinal, pra que aprender um idioma que quase ninguém fala? Os próximos anos mostrarão o quão útil ele é na terra natal da mãe…

A viagem de volta foi um pequeno inferno. A Jasmijn não pôde dormir num bercinho (fizeram tanto contra que resolvi deixá-la sentar ao meu lado, que estava vago), mas dormir que é bom, não foi lá grandes coisas. Chegando em Paris, após passar pelo devido portão de segurança, descobri que nosso vôo para Amsterdam tinha sido anulado. E lá fui eu correr atrás, tudo isso sem carrinho e com minha filha tentando correr pra lá e pra cá e chorando copiosamente de exaustão. Corre pra cá, enfrenta uma fila, desce para outra fila… nessa brincadeira devo ter levado quase uma hora para conseguir remarcar o meu vôo: para 4h após o horário original. E o pobre do meu marido nos esperando no aeroporto, sem saber de nada… Tentei avisá-lo, porém minha tentativa não deu certo. Ou seja: não dá pra confiar em empresa aérea quando dizem que vão passar telex, telegrama ou sei lá mais o quê para o aeroporto de destino. Éramos para ter chegado às 10:15 no Schiphol, mas chegamos depois das 14h, ainda tendo de pegar malas e carrinho. Foi um certo stress geral. Mas chegamos relativamente bem, apesar da exaustão.

Um fato engraçado: lá estou eu pegando as malas na esteira rolante, crente que já tinha pego tudo, uma mala grande e uma pequena, quando vejo a Jasmijn apontando para a esteira e falando algo. Vou olhar e era o carrinho dela passando! Minha filha pensou nele mais do que eu! Quase morri de vergonha de tê-lo esquecido… Mas pelo menos ela o viu e me avisou. 😉

Tentei pôr uma foto da minha fofura, mas o blogger não anda colaborando… Então, quem sabe da próxima vez? Inté!

Por estas pastagens arenosas

De visita ao Rio vejo o quanto não apenas eu mudei. A cidade mudou muito, infelizmente para muito pior. Ou talvez o meu padrão de comparação tenha mudado tanto que considero qualquer coisa menos saudável do que o que tenho na Holanda como muito pior.

Comer no Brasil ainda é uma das melhores coisas do mundo. Não existe nada como esta comidinha bem-temperada, gostosa e fresca feita em casa. E até mesmo o que é feito na rua tem muito mais sabor do que muita comida feita em casa na Holanda. O porém está no dia-a-dia das crianças, nas atividades gerais.

Ter praia é só o máximo, e adoraria poder levar minha filha à praia todos os dias. Mas prefiro poder levá-la ao parque todos os dias, à fazendinha que eles mantêm para as crianças (de entrada gratuita), do que ficar me preocupando com os ladrões nas esquinas ou de ter de andar de carro com todas as portas trancadas. Prefiro o silêncio relativo no ‘bairro’ onde moro do que, ao estar na praia, pedir um coco e não entender o que o vendedor me pergunta por causa do barulho do trânsito.

Sinto MUITA falta da minha família, dos meus amigos, de poder falar português todos os dias, do sol que esta terra tem, mas confesso que não sinto falta alguma dessa violência velada e aberta das esquinas, de não poder sair de madrugada, de saber de criança morrendo na porta de casa por causa de bala perdida.

Pergunta: a Holanda é melhor do que o Brasil?
Resposta: em alguns aspectos sim, em outros não.

Nada substitui o calor humano desta terra. Porém nada substitui a paz de espírito que tenho em meu novo lar. Perigos e problemas existem em todos os lugares, mas na Holanda pelo menos não preciso me preocupar constantemente com uma bala perdida, com guerra de tóxicos ou polícia corrupta.

São constatações amargas, a meu ver, porém verdadeiras.

Gotta dance!

Pensei num ‘gotta do’ básico, porém logo tive a imagem do Gene Kelly cantando ‘Gotta dance!’ e não deu pra resistir…

A idéia de um livro, crônicas, comentários ou o que quer que seja está, por assim dizer, ‘cristalizada’. Vai acontecer, e espero que o quanto antes. Acho que vou penar para dar forma à idéia, porém estou cada vez mais interessada e animada. Sinto-me muito mais viva ao pensar em escrever alguma coisa, seja o que for, do que apenas seguir regras, montar aulas ou coisas do gênero. Ou seja, voltar pro Pabo… acho que já era.

Quase na porta

Estamos quase de saída, e essas últimas horas antes da partida são, a meu ver, sempre as piores. Nessas horas é que ficam as dúvidas se você resolveu tudo o que tinha a resolver, se não esqueceu de alguma coisa, se é possível colocar mais aquele presentinho na mala… Enfim, estresse de última hora.

Voltamos da piscina, dei banho na Jasmijn que, apesar de exausta, não quer dormir. Apaga nos meus braços, mas é só eu colocá-la na cama para ela acordar. Espero que ela durma, mas estou sentindo que ela não vai dormir agora…

Idéias mis

O meu amor sugeriu escrever artigos para uma revista brasileira contando da minha vida aqui, das coisas pelas quais passo, as diferenças existentes entre Brasil e Holanda, e o estranhamento cultural que é viver em outro país, numa outra realidade, com outras pessoas à volta e tal. Acho a idéia ótima, porém fica sempre aquela dúvida se vai dar certo, se vai rolar, se vou conseguir contato em alguma editora/revista…

Bom, as dúvidas continuam a existir, mas chegando no Rio vou botar a cabeça pra funcionar, pesquisar possibilidades e idéias. Quem sabe não deslancha alguma coisa dessas conversas mirabolantes que temos?