Dormindo de barriga

Você já teve de ficar entrando e saindo do quarto do seu filho trocentas vezes porque ele se virava e, deitado de barriga, caía de nariz no colchão e se acordava, afobado? É o que anda acontecendo com a minha pequena, que, no seu afã em deitar de barriga (de quem ela puxou isso, hein???), perde a chupeta, dá de cara no colchão e acorda assustada. Até conseguir dormir de lado, ou virar a cabeça dormindo de barriga.
Ela é mesmo o máximo…
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Visita ao CB

Ainda estranho o sistema daqui, muito diferente do sistema brasileiro. Porém, no Rio, eu era uma afortunada, com pai médico e diretor de hospital, irmão e cunhada médicos, e conhecidos e familiares por todos os lados. Eu nunca parava em hospital público e até a visita aos médicos era um encontro entre amigos.
Aqui o papo é outro. Não conheço médicos e dependo do sistema público, como todo mundo. Não posso reclamar muito, pois até hoje tenho recebido tratamento nota 10. Seco, rápido, porém excelente. A única coisa que me irrita um pouco é a idéia de que médicos, de modo geral, têm: se você for leigo é burro, não sabe nada de medicina. Vai explicar que a gente sabe mais do que eles pensam…
Voltando ao sistema holandês: pediatra só em hospital (para casos sérios) ou do CB, Consultatiebureau, um local para consultas para mães e bebês. O CB é um sistema gratuito, como um posto médico menos equipado, onde se vai para pesar, medir e vacinar as crianças até os 4 anos de idade, quando normalmente vão para a escola. Os “clientes” não escolhem o CB para onde vão. Eles são definidos por área e você vai para um CB perto de você. Um pouco como as escolas públicas (mas os pais podem escolher em que escola mandar os filhos. Só é preciso fazer inscrição com antecedência…).
Minha visita de hoje foi com a enfermeira da região, uma moça muito simpática, que faz perguntas sobre o desenvolvimento da criança, verifica como ela está, examina o resultado das medições e informa aos pais como tudo está indo. Se a criança estiver se desenvolvendo bem, tudo certo. Se não estiver comendo direito, ou estiver com problemas de pele, prisão de ventre ou algo semelhante, ela examina e dá uma opinião, porém nunca medica. Só o clínico pode prescrever remédios e deliberar se há necessidade de uma visita a um especialista. Tanto a enfermeira quanto à pediatra do meu CB são ótimas, mas não têm poder de decisão final. Só o clínico.
Pode parecer estranho, mas para quem é leigo e não tem qualquer noção do que deve ser feito, o sistema é ótimo, quase perfeito. Perfeito nunca é…
Enfim, a consulta ao CB foi boa: Jasmijn cresce a olhos vistos, se desenvolve como deveria e adora bater papo e babar em cima de todos. E é claro que acaba sendo babada também, né?
Aqui uma foto da minha pequerrucha há umas duas semanas. Ela não é uma graça? E está fazendo de tudo para ficar sentada e engatinhar. Isso daqui vai virar um perigo…
Nome: Jasmijn Lia Maria (Lia em homenagem à minha mãe e Maria em homenagem à mãe do Ruud. A pobrezinha já começou na maior responsa…)
Nascida em 23 de janeiro, em Vlaardingen (foi no hospital, então só em Vlaardingen… grrrr)
Signo: Aquário, com ascendente em Aquário e Lua em Câncer
Hoje estava com 63,3 cm e pesava 6641 g.
Uma fofura.

Mais um dia de trabalho…

Hoje foi um dia daqueles: muito trabalho e a impressão de que não serviu pra nada. Muitas discussões, tempo gasto na cantina bombeando leite pra minha gatinha (ela fica na creche às quartas-feiras) e poucos livros sendo colocados nas prateleiras. Essa minha vida de vendedora e compradora de livros às vezes é um saco. Principalmente quando a minha seção preferida, de livros infantis, é diminuída para dar espaço a outras não tão interessantes.
Obviamente as discussões foram por causa da festa de lançamento do Harry Potter 6, que dúvida! A festa começa às 23:00, porém o livro só pode ser vendido a partir de 01:00 do dia 16. Por quê? Porque, oficialmente, o livro é lançado às 00:01 na Inglaterra, e devido ao fuso horário, o continente europeu tem de aguardar… Acho bobagem da grossa, porém não sou eu quem faço as regras, né? Mas acho que é para evitar que o livro seja vendido em outros lugares primeiro. Afinal, a autora é britânica, certo?
E para provar que hoje foi um dia daqueles, o tempo estava absolutamente holandês: hora chovendo, hora fazendo sol e no geral indeciso. Um horror. Saí de casa carregando um casaco pesado e voltei soando em bicas.
Para arrematar: deixei o carro no estacionamento da estação de trem e sabem o que fiz? Tranquei a porta com a chave na ignição. Só faltei arrancar os cabelos! Achei que ia me atrasar para o trabalho, mas felizmente a situação foi resolvida mais rápido do que pensei. Só que não deu pra aproveitar minha hora extra para comprar um sutiã novo, como eu queria… blérgh!
Moral da história: não faça nada com sono. Durma bem, vá pra cama cedinho, não veja televisão até tarde ou outras coisas mais… yeah, sure, right!
Melhor ainda: arrume um trabalho que pague bem e que você só tenha de começar mais tarde. É muito melhor!

Junho 2005, dia 28

Segundo o conselho de minha cara amiga Lorelei (ela sabe quem é!), fica a pergunta: por que escrever um blog?
Os motivos são vários, sendo que o mais importante é mesmo ser uma espécie de terapia tecnológica… não tinha pensado antes em como descreveria este tipo de terapia, mas tecnológica é divertida.
Um outro é mesmo o de ser uma escritora frustrada, querendo expor idéias e experiências sem ter de publicá-las num livro. É o de querer falar da vida para que todos possam lê-la e comentar sobre o que me acontece, ou o que acontece no mundo. Tudo é válido.
E é claro, é um meio de me comunicar com amigos e família sem ter de mandar e-mail pra todo mundo o tempo todo. Assim fica a possibilidade das visitas, dos comentários, de um contato maior.
É uma tentativa de quebrar a barreira da distância.

Desde que nossa filha nasceu a vida tem sido uma busca constante de tempo para tudo: ficar em casa vegetando em frente à tv, escrever e-mails, trabalhar fotos, conversar com os amigos, ler ou simplesmente dar uma volta pela cidade. E trabalhar, naturalmente, pois ainda precisamos pagar casa, comida, fraldas… E atualmente muitas vezes acontece de o meu marido ter de trabalhar até tarde num dia em que estou em casa porque, no dia seguinte, Jasmijn vai para a creche e sai às 18:00 (estourando) ou eu tenho de trabalhar e ele fica em casa tomando conta dela. Hoje é um desses dias, em que jantar sozinha tira todo o prazer da comida e a única coisa que realmente desejo fazer é entrar debaixo dos lençóis e dormir até amanhã. Aqui entra nossa pequena dinamite ambulante, que continua acordada, apesar das reclamações de sono e dos olhos pesados. Nesse ponto ela é igualzinha a mim: “Eu, com sono? Não… mãe… não… tô… dormindo… zzzzzzzzzzzzzzzzzz”

Algumas semanas após o nascimento de Jasmijn uma amiga me disse que eu acabaria gostando de trabalho doméstico, que eu faria tudo com prazer pensando na minha filha. Não sei como ela faz, porém para mim continua tudo sendo um zero à esquerda: eu detesto serviço de casa e só faço porque a grana não me permite ter uma faxineira três vezes por semana… (Por aqui é coisa de rico, sabe?)
É um mistério, o prazer que as pessoas encontram nas situações mais difíceis e esdrúxulas…

Junho 2005, dia 27

Finalmente meu próprio blog. Estou torcendo para que dê certo e que eu tenha a paciência de escrever com freqüência… Nem sempre sou boa nisso. Começo, páro, retorno, mas acabo me esquecendo, ou pegando nova folha de papel. Mas na web é diferente, né?

Por que “Minha vida de bicicleta”?
Não que eu ande de bicicleta todos os dias, mas por agora estar morando num país onde andar de bicicleta é considerado um meio de transporte e não apenas para passeios ou competições. Inspirei-me num livro de um americano, “My Dam Life”, sobre seus 3 anos de vida nos Países Baixos.