Natal e Ano Novo holandês

Estou me esforçando a voltar a escrever com regularidade, pois detesto a idéia de as pessoas não visitarem o blog por ele não estar sendo atualizado.

A depressão passou, felizmente. Devagar e sempre, é o que dizem, e é o que estou fazendo: olhar para cada novo dia com novos olhos, procurar as coisas boas em vez das ruins, fazer coisas divertidas e não só as obrigações, aproveitar cada segundo de vida com as pessoas que nos cercam: filha, marido, amigos, colegas, conhecidos e até desconhecidos. É acordar de manhã não querendo sair da cama e só ficar no calorzinho das cobertas, mas lembrar-se de que vai visitar uma amiga, ligar para outra ou simplesmente ver o sorriso delicioso da minha filha e então pular para a vida, sorrir pra tudo e procurar o que há de bom, em tudo e em todos. Naturalmente que isso nem sempre funciona: nem todo mundo é bom. Porém o exercício da procura movimenta a nossa massa cinzenta e nos faz andar mais depressa, de um jeito mais confiante.

Ou seja, é aproveitar a vida e deixar a deprê de lado, que ela não vale a pena.

Só para não deixar passar, uma foto minha tirada em novembro, pela tia Daniëlle, quando mamãe foi estudar na casa dos meus tios. Tia Daniëlle me levou para passear, foi comprar umas coisas de Natal e acabou tirando umas fotos minhas com chapéu de boneco de neve. Não é gozado?
Nosso Natal foi simples e ótimo: só nós três (Jasmijn dormindo, naturalmente!), nós dois juntinhos em frente à tv sem fazer nada demais, só relaxando. Estávamos mesmo precisados.

Nosso Ano Novo vai ser mais ou menos no mesmo esquema: tranqüilo, só nós em casa, aproveitando a tranquilidade que ainda temos. Afinal, a partir da semana que vem recomeça a maratona: trabalho, faculdade, escola (estágio), trabalhos, casa etc. O que eu não daria por um daqueles superrobôs, que limpam tudo em dois tempos…

Na madrugada de 23 para 24 minha bisa faleceu. Ontem, sexta-feira, foi a missa e a cerimônia de cremação. A mamãe não quis me levar à igreja porque achou que era tempo demais pra mim: ficar quieta, sem fazer barulho? Tô fora! Mas nós fomos na cerimônia de cremação (a gente acabou saindo antes do fim, porque eu comecei a “falar” alto), e depois houve um lanche de sopa com sanduíches para os familiares. Minhas primas e primos brincaram comigo e eu achei muito divertido. Eu não estava nem aí para o motivo da reunião. Afinal, não tenho nem um ano, né?

O falecimento da avó do Ruud foi o tom ruim desses nossos dias livres. Por outro lado, agora ela está descansando, foi encontrar-se com os irmãos e os filhos que já se foram, e está em paz. Afinal, 96 anos não é pra qualquer um.

Ontem nevou à beça, mas a neve já está derretendo e não há suficiente para guerra de bolas de neve ou bonecos de neve. Uma pena. É uma das melhores coisas de neve. Uma das piores é dirigir no meio de uma nevasca. Espero nunca ter de passar por isso… Mas ainda assim fico sempre pedindo pra ter neve no inverno: dá um ar mágico à paisagem.

Feliz Ano Novo para todos!
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Depressão

Como livrar-se de uma depressão?

Acho que nunca vou conseguir resolver esse mistério. A única coisa que sei é que, um dia, acordo deprimida e sair dela é um processo lento e doloroso. E outro dia, olho para o céu, vejo tudo azul e sol brilhando e a vida volta a ser colorida de novo.

Sei que escolhi um lugar muito ruim para morar pra mim, pois o inverno aqui é longo e cinzento, molhado e um pouco triste, porém é onde meu coração está. A vida, então, segue um pouco mais lenta e trabalhosa, mas eu chego lá.

Agora é erguer a cabeça, sustentar o pescoço e olhar o mundo com olhos brilhantes. Sem os óculos cor-de-rosa, pois já vimos que não é real. Mas com uma coloração mais quente, que nos dê energia e alegria.

É acender muitas velas à noite, aconchegar-se ao marido no sofá da sala e assistir a um filme romântico. Ou brincar com a filhotinha maravilhosa, que quer mexer em tudo, comer a ração das gatas, brincar com água e rir da sua cara quando você diz não.

É um prazer incomensurável vê-la crescer e tornar-se uma pessoa, com idéias e vontades próprias.