Tristeza

Ontem tive uma notícia muito ruim a respeito da minha cidade natal que me deixou extremamente triste: não só os traficantes tomaram conta da cidade, como na verdade aterrorizam a vida de todas as pessoas que por ela passam, passaram ou gostariam de passar num futuro quem sabe não tão distante. Tomaram a cidade como refém e não me parece que a situação se resolverá num período curto.

Ao ouvir sobre os ônibus incendiados, gente carbonizada, viajantes aterrorizados, senti-me pela primeira vez estrangeira. Senti-me horrorizada pelo nível de loucura e terror que assola o Rio de Janeiro, pelo que as pessoas da minha outrora “Cidade Maravilhosa” passam no seu cotidiano e consideram ‘normal’. Senti-me uma estranha no ninho, pois a cidade decaiu tanto nos 7 anos em que estou aqui que, de repente, dei-me conta do horror e terror do dia-a-dia carioca. E, pela primeira vez desde a minha mudança para a Holanda, repensei as minhas visitas à cidade.

Jamais tinha tido qualquer dúvida de querer visitar o Rio sempre, rever familiares e amigos, aproveitar o sol e a praia (nem que seja só com os olhos, pois não sou lá muito chegada a uma milanesa…), de aproveitar toda e qualquer oportunidade de pegar um avião e passar uns dias com o meu.

Até agora.

Depois desses acontecimentos, culminação de tantos outros que vêm ocorrendo nos últimos anos, parei para revisão. Porque, podem dizer o que quiserem, é um risco enorme sair daqui, um mundo de relativa paz, para entrar voluntariamente num mundo em guerra. Israel jamais seria para mim uma escolha de turismo.

Senti-me a própria traidora, naturalmente. Afinal, todos os meus amigos, irmãos, pai, madrasta, primos, sobrinhos, moram no Rio. Não têm essa possibilidade de uma vida menos complexa. Porém, ao mesmo tempo, senti-me saudavelmente egoísta. Se minha presença fizesse diferença, se ajudasse a mudar o quadro negro do momento, isso tudo nem me passaria pela cabeça. Porém, o que realmente desanima é essa certeza de que, não importa o que eu faça, o problema continuará. E botar a minha filha em risco desnecessário eu não consigo botar.

Podem me chamar de estrangeira. Tornei-me, pelo menos neste aspecto. Mas meu coração brasileiro e carioca chora de tristeza, profundamente magoado com o drama que se derenrola nas ruas da minha outrora “Cidade Maravilhosa”.
Advertisements

2 thoughts on “Tristeza”

  1. Em primeiro lugar, Feliz Ano Novo! Estou indo para o Brasil em breve e tinha planos de visitar uma amiga no Rio, mas mas agora não sei se vou mais. Mas também penso que é isso mesmo que os bandidos querem, tomar a cidade de refém! Devemos ser corajosos e ver se esse governo novo do Rio ( não conheço o governador novo) seja melhor que o anterior, se bem que ser emlhor que aquela maluca da Rosinha não precisa muito, afff…Abs, Marcia ( Schiedam)

  2. 😦 Lamento amiga, de verdade. Estas notícias, são infelizmente um lugar comum. E cada vez mais comum. Talvez possas oferecer um futuro diferente à tua filha e talvez acabes por lhe ensinar os valores que induzem outras alternativas à violência. E talvez este seja o teu contributo para um futuro melhor. A tua missão. Num futuro que é cada vez mais global, pois cada vez mais o que se passa lá fora nos influencia. Não desanimes. Que estes acontecimentos aumentem a tua força e persistência na educação para o amor. Beijinhos

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s